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Glaucoma: novas perspectivas com stents

 

Quase sempre o problema que provoca o aparecimento do glaucoma crônico simples de ângulo aberto está relacionado com dificuldades na drenagem do humor aquoso, líquido que preenche a câmara anterior do globo ocular


V ários medicamentos atuam melhorando as condições da malha do trabéculo, espécie de “ralo”, por onde tal líquido é eliminado do interior do olho. Quando tais colírios não funcionam adequadamente, podemos lançar mão de laser ou de uma cirurgia, ainda considerada gold standard, conhecida como trabeculectomia.

O procedimento a laser tem que ser muito bem avaliado, pois nem sempre costuma funcionar a contento e, em muitos casos, seu efeito é temporário. A trabeculectomia sofreu muitas inovações ao longo dos últimos anos e, graças ao uso do microscópio, se transformou em uma microcirurgia relativamente segura com resultados excelentes. De qualquer forma ela deve ser realizada quando indicada por um especialista e seu pós operatório sempre bem monitorizado nas semanas seguintes à cirurgia. A trabeculectomia pode ser feita a qualquer momento, independente de outras cirurgias associadas a ela, como a de catarata. Esta decisão também deverá ser tomada de acordo com o estágio em que se encontra o glaucoma. Há situações em que se tem que priorizar a cirurgia do glaucoma; em outras pode se priorizar a de catarata. Nossa boa experiência em cirurgias combinadas de glaucoma + catarata + implante de cristalino artificial nos estimula a fazê-las sempre que o glaucoma estiver produzindo danos severos ao nervo óptico.

Um novo recurso agora disponível no Brasil, se baseia na possibilidade de, em casos de pacientes portadores de glaucoma de moderado a leve e com indicação de cirurgia de catarata, valer-se deste momento da facectomia para implantar um stent na região trabecular, facilitando o escoamento do humor aquoso.

Esta indicação necessita uma boa avaliação caso por caso, pois em grande percentual dos casos de glaucoma relativamente bem controlados, a cirurgia da catarata por si só é o suficiente para a pressão intraocular cair a níveis normais, liberando os pacientes da necessidade de usar colírios hipotensores. Este dispositivo é minúsculo - como pode ser visto na imagem no alto desta página - só sendo visível graças ao poder de zoom de bons microscópios cirúrgicos. A cirurgia é feita sob anestesia local e em regime hospitalar de curta internação. Por vezes, pode ser necessário implantar mais do que apenas um stent.


Com uma melhor avaliação dos resultados a médio e longo prazos, é possível que tais dispositivos intraoculares possam ser utilizados de forma isolada, apenas para ajudar no controle da pressão intraocular mesmo em pacientes não necessitando serem submetidos à cirurgia combinada com catarata

Deve ser lembrado que em situações extremamente graves, nem laser, nem stent, nem mesmo a trabeculectomia irão resolver o problema do glaucoma. Nestas raras situações o cirurgião poderá se valer de válvulas especiais, implantadas sob a conjuntiva bulbar ou procedimentos chamados ciclodestrutivos com endolaser.

O importante ao lidar com glaucoma e catarata é procurar um especialista e conversar francamente com ele qual é realmente a melhor estratégia em sua situação em particular.