Cuidados permanentes com nossos olhos
Normalmente os olhos desfrutam de defesas naturais através das pálpebras, dos cílios, da lágrima. A lubrificação permanente dos olhos, resultado da produção de lágrima e de uma graxa especial, mantem os olhos protegidos contra a ação do vento, da poeira, da fumaça e impede a abrasão da córnea. A lágrima também contem importantes elementos bactericidas, que impedem o aparecimento de vários tipos de infecção externa.
O ato de piscar serve para espalhar esta película protetora sobre a córnea (parte transparente dos olhos) e sobre a conjuntiva bulbar (parte branca dos olhos). Mas na presença do uso de certos medicamentos (como antihipertensivos, antidepressivos, antialérgicos), de certas alterações sistêmicas (menopausa, por exemplo) ou doenças autoimunes (artrite reumatóide, síndrome de Sjöegren e outras) a produção de lágrima pode até diminuir parcial ou quase totalmente, caracterizando uma doença chamada "olho seco". Nos Estados Unidos, cerca de 20% dos pacientes que procuram os oftalmologistas o fazem por causa de "dry-eye". Os sintomas mais freqüentes são : ardência ocular, vermelhidão, sensação de fisgadas nos olhos, dificuldade em abri-los pela manhã, sensação de areia nos olhos. Alguns testes no consultório permitem diagnosticar a presença desta anomalia ocular e tratá-la convenientemente, valendo-se até de imunosupressores tópicos.
Normalmente o homem pisca cerca de 16 vezes por minuto, e a cada piscadela, toda a película lacrimal é carreada para os condutos lacrimonasais, daí passando para o saco lacrimal e para a garganta. Por esta razão muitas pessoas quando pingam determinados colírios, sentem o gosto do medicamento na boca.
As pálpebras e cílios também participam deste sistema de proteção, dificultando ou impedindo a entrada de corpos estranhos e de insetos nos olhos. Curiosamente as pálpebras não se fecham de uma só vez, mas fazem um movimento que lembra a de um zíper (correndo de fora para dentro). Aos candidatos a cirurgias plásticas de pálpebra (blefaroplastias) recomenda-se sempre uma avaliação de suas condições de produção de lágrima, para não piorarem eventuais condições de "olho seco".
Óculos escuros
Proteger os olhos, deve merecer toda a atenção daqueles que gostam de freqüentar piscinas e praias.
O uso de óculos com filtros ultravioleta é extremamente importante para a proteção de várias estruturas intraoculares. Hoje, mais que nunca, a medicina conhece os malefícios que uma exposição exagerada ao sol pode provocar nos olhos, principalmente catarata e danos à retina.
Muitos pensam que usar óculos escuros é o bastante para estarem protegidos. Ledo engano! Ao contrário, óculos coloridos sem filtro ultravioleta, aumentam as chances de maiores danos para as delicadas estruturas do aparelho visual.
As pessoas mais idosas devem redobrar as atenções com os seus olhos. Infelizmente, uma doença detectada geralmente em pessoas com idade acima dos 70 anos, pode comprometer seriamente a área macular, reduzindo significativamente a visão central. Conhecida como degeneração macular relacionada com a idade (DMRI), ela é responsável pela perda de visão de mais de 10.000.000 de norte americanos naquela faixa etária.
Por esta razão, nunca se deve abrir mão de usar bonés e óculos com filtro ultravioleta quando tiver que se expor ao sol.
Conjuntivite
Outro cuidado de higiene é manter as mãos bem limpas e evitar coçar os olhos. Nos dias de muito calor, aumenta a incidência de conjuntivite e seus portadores apresentam olhos muito vermelhos, forte lacrimejamento, desconforto com a luz (fotofobia), presença de secreção ocular e alguns ficam até impossibilitados de trabalhar.
Além da conjuntiva, mucosa que envolve o globo ocular, também a córnea pode ser comprometida. A ceratoconjuntivite hemorrágica é uma forma grave que exige, além de cuidados locais, também de tratamento sistêmico. Acompanhada de aumento dos gânglios retro-auriculares e por baixo da mandíbula, estes pacientes, se são usuários de lentes de contato, devem removê-las de imediato, e só poderão voltar a usá-las quando totalmente restabelecidas da infecção ocular.
Pelo alto grau de contágio, os pacientes devem evitar contatos com outras pessoas próximas, isolando toalhas de rosto, de banho, lenços, fronhas e lençóis. Colírios para limpeza ocular, água boricada ou soro fisiológico podem ser usados, mas qualquer outro medicamento local ou sistêmico só deverá ser prescrito após um minucioso exame oftalmológico, para assegurar a origem da doença.
Colírios e sprays nasais
Muitas pessoas têm o hábito de usarem colírios por conta própria. Muitos medicamentos, entretanto, podem produzir danos irreversíveis aos olhos. Um deles é a cortisona. Ao produzirem olhos muito brancos, podem, a longo prazo, elevar a pressão intraocular, e daí, converter-se em uma doença chamada glaucoma.
Outras pessoas se valem de sprays nasais para combater uma rinite alérgica, e se eles contiverem cortisona poderá favorecer o aparecimento de uma catarata. Se o uso do medicamento é inevitável, é sempre aconselhável fazer um rigoroso controle oftalmológico, para se detectar uma eventual opacificação do cristalino.
Lentes de contato
Está na moda a utilização de lentes de contato coloridas. Existem lentes cosméticas de excelente fabricação e, em princípio, não há nenhuma contra-indicação ao seu uso, exceto naqueles casos de pouca produção de lágrima, alguma alteração na curvatura da córnea, alergia ocular ou outra situação que o exame oftalmológico desaconselhe o seu uso.
Como lentes de contato são encaradas como corpos estranhos, o bom senso recomenda só empregá-las após um meticuloso exame ocular, e ao menor sinal de irritação ou vermelhidão dos olhos, removê-las imediatamente e procurar o oftalmologista.
Há hoje no mercado uma ampla gama de lentes de contato, desde as tradicionais lentes de polimetilmetacrilato, passando pelas lentes siliconadas, e chegando às lentes descartáveis mensais, semanais ou de uso diário. Sem falar nas lentes de contato apropriadas para correção de astigmatismo ( tóricas ) e de vista cansada ( bifocais ou multifocais ). Também as soluções de conservação, limpeza e assepsia evoluíram muito, reduzindo as chances de fenômenos alérgicos.
Dr. Miguel Ângelo Padilha
(Publicado no site da Marcia Peltier)
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