Glaucoma : novo século, novos conceitos para enfrentá-lo
O glaucoma é a segunda causa de cegueira em todo o mundo, e afeta 3% da população acima dos 40 anos. Pode ocorrer em pessoas abaixo desta faixa etária, e infelizmente, existe também na forma congênita, isto é, crianças podem nascer com glaucoma.
Diferentemente da catarata, que produz uma cegueira passível de reversão completa, o glaucoma pode levar a uma cegueira irreversível, e cujo tratamento exige permanente controle desde o momento de seu aparecimento.
De caráter hereditário, o único meio que os oftalmologistas dispõem para detectar a sua presença, constitui-se na medida da pressão intraocular.
De acordo como o Dr. Miguel Ângelo Padilha, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, um novo conceito para o controle da doença modifica totalmente a percepção de como ela deva ser enfrentada a partir de agora.
Até muito recentemente os especialistas se fixavam em tratar o glaucoma, evitando que a pressão intraocular ultrapassasse o limite tensional de 20 mmHg, estabelecido durante muitos anos como sendo o máximo que o nervo óptico poderia suportar sem ser danificado.
Mas persistia uma dúvida : por quê muitos olhos glaucomatosos, aparentemente bem controlados, com pressão bastante inferior àquele limite, caminhavam irreversivelmente para a perda de campo visual e atrofia do nervo óptico ?
No ano 2000, durante o um Simpósio realizado em Barcelona, Espanha, coube ao Dr. Michael Wiederholt, da Universidade de Berlin, Alemanha, propor a resposta : o problema não se limita apenas a reduzir a pressão, mas muito mais importante, em se aumentar o fluxo de perfusão sangüínea do nervo óptico.
Baseado neste raciocínio, novos métodos de diagnóstico precoce possibilitam avaliar muito melhor a presença da doença, enquanto novos medicamentos baseados no que se chama de co-regulação, permitem atuar nos dois extremos do problema.
Para o Dr. Miguel Padilha, este novo século abre uma nova e formidável oportunidade para a medicina conseguir decifrar de vez o enigma que ainda envolve o controle desta terrível doença, cuja evolução pode passar totalmente despercebida aos seus portadores.
No campo da cirurgia antiglaucomatosa, novos avanços estão sendo incorporados no dia-a-dia do armamentarium oftalmológico. Vários pesquisadores, como os Drs. Robert Stegmann, da África do Sul, e Phillipe Sourdille, da França, desenvolveram técnicas sem necessidade de se perfurar o globo ocular inteiramente. Chamadas de técnicas não perfurantes, tais técnicas permitem prever a diminuição de algumas possíveis complicações inerentes aos procedimentos rotineiros, empregados atualmente.
O glaucoma consiste num acúmulo do humor aquoso (líquido que se forma no interior do globo ocular, e responsável pela nutrição de diversas estruturas intraoculares) e que, por diversas circunstâncias, não é eliminado na mesma velocidade com que é secretado.
Com o aumento da pressão intraocular, vai ocorrendo perda gradativa de células retinianas, e finalmente, uma neuropatia óptica isquêmica, com conseqüente atrofia do nervo óptico. Neste estágio final, nada mais a oftalmologia poderá fazer em benefício dos pacientes afetados.
Outras matérias