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OFTALMOLOGIA EM MOVIMENTO

Implante de "chips" está se tornando, gradativamente, uma realidade para os portadores de degenerações de retina

Oftalmologistas da Rush University Medical Center, Chicago, implantaram microchips de retina artificial de silicone (Artificial Silicon Retina - ASR, Optobionics, Naperville, Ill.) nos olhos de cinco pacientes para tratar baixa de visão em pacientes portadores de retinose pigmentar. Tal microchip de silicone mede 2 mm de diâmetro e um milésimo de polegada de espessura, o que significa ser mais fino que o menor fio de cabelo humano. Os pacientes serão monitorizados durante dois anos como parte do protocolo de estudos. Este grupo operado recentemente faz parte de um estudo de outros dez pacientes já monitorizados até 2002, os quais apresentaram algum nível de melhora na função visual, incluindo a capacidade de ler cartas, da percepção de cores, e expansão do campo visual. Alguns pacientes foram capazes de reconhecer gestos faciais, o que era impossível antes de receberem tal implante. Os pesquisadores alertam que com tal inovação tecnológica ainda na Fase II, é muito cedo para determinar qual percentual de pacientes poderão experimentar melhora na visão e qual será realmente a capacidade visual que poderão desfrutar. Se estas cirurgias se comprovarem efetivas e aprovadas pelo FDA (Food and Drug Administration), tal procedimento poderá estar disponibilizado comercialmente dentro de mais alguns anos.

Este estudo representa mais uma importante etapa para enfrentar pelo menos duas das mais sérias doenças retinianas : retinose pigmentar e doença macular relacionada à idade (DMRI). A primeira, de caráter hereditário, tende a se manifestar de forma lenta e evolutiva em indivíduos ainda jovens, começando pela dificuldade em caminhar em ambientes com pouca iluminação. Por esta razão tal doença é reconhecida por provocar cegueira noturna. O processo pode levar anos até produzir séria deficiência visual, principalmente a restrição ou total perda do campo visual periférico. Eventualmente esta redução da capacidade visual pode se estabilizar, na dependência de uma série de fatores específicos de cada indivíduo.

Já a DMRI, antigamente chamada de degeneração macular senil, acomete principalmente os indivíduos a partir da sétima década de vida, e compromete a área central da retina conhecida como mácula. Tal degeneração pode levar a uma drástica redução da visão central, mas quase sempre o campo visual periférico fica preservado.

Vários tratamentos têm sido preconizados para reverter ou paralisar a evolução desta doença, que só nos Estados Unidos é responsável pela perda da visão de dez milhões de indivíduos. No Brasil as causas mais comuns de cegueira são, em ordem de grandeza, defeitos refrativos, catarata, glaucoma, retinopatia diabética e trauma ocular. À medida que a população envelhece, e segundo dados do IBGE hoje já somam 15.780.326 indivíduos com mais de 60 anos em nosso país, com perspectivas de dobrar em dez anos, a degeneração macular começa a exigir maior atenção deste importante grupo populacional.


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