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Olho Seco: caso de saúde pública

 

Nos Estados Unidos, cerca de 20% das consultas oftalmológicas são resultado de um distúrbio ocular conhecido como “olho seco” (dry eye). Doença multifatorial da superfície ocular é caracterizada pela perda da homeostasia do filme lacrimal e acometendo cerca de 300 milhões de indivíduos no mundo inteiro e entre 20 a 30 milhões só nos Estados Unidos


C ada dia está se tornando um crescente problema de saúde pública e uma das condições mais comuns detectadas nos consultórios oftalmológicos. Os pacientes costumam se queixar de desconforto ocular, fotofobia, sensação de areia nos olhos, fisgadas, secura ocular e, às vezes, vermelhidão ocular. Alguns pacientes também notam que, pela manhã, ao acordarem, sentem grande dificuldade em abrir os olhos necessitando abri-los com a ajuda dos dedos.

Outro dado interessante se refere ao predomínio de olho seco entre as mulheres no período pós menopausa (algo em torno de 14 milhões), mas os números crescem entre os homens e se prevê que até 2030 devem superar a casa dos 3 milhões só nos Estados Unidos. Em termos mundiais, se projeta que 21% da população mundial ultrapassará 65 anos e, portanto, mais casos de olho seco serão diagnosticados.

O exame ocular permite avaliar as condições da superfície da córnea e quanto de lágrima os olhos produzem. Dois ou três testes específicos conseguem determinar se o paciente é ou não portador deste distúrbio e, dependendo da gravidade da doença, serão necessários uso de colírios lubrificantes, de medicamentos especiais que favoreçam o aumento da produção de lágrima, antibióticos, mucoliticos, e em certas situações extremas, administração de corticoides, testosterona, soro autólogo, extrato de membrana amniótica ou a colocação de “plugs” nos orifícios lacrimais.

Devemos nos lembrar que a película lacrimal é formada de três finíssimas camadas de mucina, água e lipídeos. A mucina age mantendo a película aderida à superfície ocular enquanto os lipídeos evitam a evaporação rápida da camada intermediária (que seria a própria lágrima). Esta camada de lipídeos é produzida em diversas glândulas situadas na parte interna das pálpebras, chamadas de Meibômio, e é muito importante saber se elas estão ou não inflamadas.


Também uma avaliação do estado geral dos portadores de olho seco será fundamental em certas condições, pois doenças sistêmicas como colagenoses (síndrome de Sjöegren, lupus eritematoso, artrite, etc) ou uso de certas drogas para hipertensão arterial, ansiolíticos, anti-histamínicos podem estar na origem do problema..

Ficar por longos períodos de tempo em frente a telas de computadores, tablets, telefones celulares podem provocar o aparecimento de olho seco. Devemos nos lembrar que piscamos uma média de 16 vezes por minuto .... e muitas das vezes este número pode cair bastante, deixando a córnea muito mais exposta aos efeitos nocivos do excesso de evaporação da lágrima.

Pacientes usuários de lentes de contato, bem como candidatos a cirurgias oculares, principalmente cirurgias refrativas corneanas, devem redobrar a atenção no diagnóstico e tratamento de olho seco. Em muitos casos lentes de contatos se tornam contraindicadas nestas situações.